O OUTRO LADO

Ouves o outro lado?
Construimos as paredes
que o inventaram,
e tateámos silêncios,
uns atrás dos outros.
Imaginas as mãos?
Procuram sair dos vazios
e dos lábios,
tomaram-se de sentido
e fizeram-nos entender
a quase poesia.

Eu fiquei de conluiu,
discreto
ainda os olhos que pretenderam
soltar-se,
dois segundos,
mais à frente,
podem saber mais
que eu agora.

O fogo vai-se queimar,
lembra-me de acordar
a tempo de abrir a porta.
Deixa-te cair,
os braços já se fizeram esperar,
talvez mentir
tornasse tudo mais fácil,
como o vermelho imenso
que inventámos na nossa dança,
Como ficou amargo o horizonte!

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