O BEIJO

Foi a vez dos mestres,
os dedos que tocavam números
a ensaiarem as trocas festivas.
Fizeram o quadro como presente,
o tempo de memorizar
quase todas as frases feitas
e fugir dos aplausos
sem roupa a cobrir a nudez
dos gestos.

Chamara-lhe justo,
por um segundo
soubera que era ali,
ficariam sobre a mesa
os encantos do orador
e por um momento acreditei
a culpa era minha,
ou nossa,
como podíamos ter sido
justos também.

Os lábios focaram o semblante
arrancaram um beijo
quase como um sinal.
As vergastadas eram mais além,
sabemos demasiado
para fugir da cidade,
os justos arrendaram os cavalos
e hão de cobrar o vazio
que escondemos.

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