TÃO LONGE

Em volta da praça
os pombos em fundo
cobrem os sonhos dos pedintes.
Ao centro uma garrafa vazia,
mais á frente, dois conhecidos
trocam cumprimentos,
duas ou três palavras
uma promessa de tarde.

Parecem-me bem, os passos das crianças
tocam a melodia.
Como se nunca me tivesse esquecido
de como era.
Levo nos meus braços
o vazio de um abraço,
que os olhos só veem
com a voz de uma memória.

Sei que esta é a minha cidade,
mas por anos que passei,
escondi muito mais que um tesouro.
No seu ventre ficaram cantigas
de uma geração.
As palavras juntas em busca de um sentido,
uma forma de entender o tempo
como um olá, tão longe.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *